O Fator Marçal
O FATOR MARÇALComo um mega influencer afetou os rumos das eleições municipais de 2024. Alex J. de Souza – 07/10/2024 As eleições municipais de 2024 tiveram um tom diferente das anteriores, que causou impacto tanto na Direita quanto na Esquerda. Um candidato improvável à Prefeitura de São Paulo, que chegou criando grande repulsa em uns e admiração em outros, atacando frontalmente seus concorrentes, provocando-os ao ponto de saírem da linha, ao nível de agressão física, como a realizada em rede nacional pelo apresentador, e também candidato, Luiz Datena; ou provocando risadas quando seu alvo era o candidato Fernando Boulos, insinuando, com gestos, o uso de substância proibida pelo oponente, ou chamando-o de “Boules” por conta da alteração da letra do Hino Nacional cantada em evento usando “linguagem neutra”. Apenas estas atitudes não teriam tanta influência, desde que ficasse apenas restrito aos eleitores da Cidade de São Paulo, porém, por necessidade de audiência da mídia tradicional e de muitos influenciadores digitais, em busca de seus “clicks”, a campanha de São Paulo se tornou um evento nacional, permanecendo durante várias semanas no topo dos assuntos mais comentados e assistidos na grande rede, sufocando as campanhas em outras cidades do Brasil, mesmo no Rio de Janeiro e Belo Horizonte, pois todos os olhares estavam voltados para os embates “Marçal x os outros”, que dava audiência no Brasil inteiro, acima dos debates locais, e é aqui que a coisa muda de figura. Tanto em São Paulo quanto em outras capitais havia candidatos apoiados pelo governo e outros pela oposição, fortemente influenciada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, candidatos estes que ficaram em segundo plano, sem serem notados no restante do país, pois apenas São Paulo era foco da atenção nacional. Muitos conservadores passaram a apostar todas as suas fichas em Pablo Marçal, especialista em convencimento, que se transformou em um “Show-man” nacional, a liderança conservadora também se dividiu em opiniões, uns achando que Jair Bolsonaro deveria apoiar Marçal, enquanto outros mantinham suas apostas, mesmo discordando da escolha de Nunes, no candidato escolhido pela liderança do PL; junto a isso lideranças conservadoras começaram uma campanha de boicote ao PSD, sigla do prefeito Eduardo Paes, candidato a eleição no Rio de Janeiro, porém o negócio cresceu quando o Pastor Silas Malafaia, líder religioso e pastor de uma das maiores denominações evangélicas no Brasil, partiu para o ataque contra Marçal, dividindo ainda mais os eleitores conservadores. Com seu jeito sanguíneo, Malafaia divulgou em suas redes sociais que o influencer era manipulador e que estava jogando com todos, o que não ficava sem resposta de Marçal, que chegou a pedir perdão publicamente ao líder evangélico, que se recusou por dizer que aquilo era um jogo do candidato, já os eleitores conservadores não viam isso como positivo pois percebia-se que a ala conservadora estava rachada, com um lado apoiando Marçal e o outro preocupado com os rumos que isso levaria. Enquanto isso no Rio de Janeiro o candidato do PL à prefeitura, Alexandre Ramagem, saía prejudicado, pois os eleitores não estavam olhando para a sua campanha, nem ouvindo suas propostas, mas estavam distraídos com o que acontecia em São Paulo. A campanha de boicote ao PSD não afetou a imagem do Prefeito Carioca, que se manteve até o fim no topo da preferência dos eleitores, sendo eleito com cerca de 60% dos votos no primeiro turno. O tiro no pé de Marçal Pablo Marçal tinha tudo para disputar um segundo turno, pois nas últimas pesquisas, uma semana antes das eleições, ele havia ultrapassado Boulos, ficando próximo de Nunes, o que causou grande preocupação na Esquerda, inclusive afastando o Presidente Lula dos eventos do candidato, porém, nos dias imediatamente anteriores à eleição, Pablo Marçal divulgou um laudo médico “provando” que Fernando Boulos era viciado, conforme ele o havia acusado durante toda a campanha, assunto que fez explodir a internet, ao estilo Pablo Marçal, mas, após diversos peritos avaliarem o documento, foi constatado que o mesmo tinha grande possibilidade de não ser verdadeiro, o que ficou provado ao comparar detalhes no nome da Clínica, e na assinatura do médico, que era diferente da de outros documentos, e a quantidade de erros de escrita no “Laudo”. Diante dessa avalanche muitas dúvidas vieram à tona na cabeça dos eleitores, “será que o Pastor Silas estava certo?”, se Marçal mentiu aqui, onde mais ele não falou a verdade? Essas dúvidas tiraram vários eleitores do Influencer, que acabou ficando em 3º lugar na disputa, deixando Fernando Boulos e Nunes na disputa do segundo turno paulista, além de uma Direita fragmentada, que, apesar de ter eleito muitos prefeitos pelo Brasil, precisará repensar o seu Modus Operandi e amadurecer para que não se deixe dividir por ondas populistas. Fica aqui uma boa lição para 2026, pois do jeito que está hoje possivelmente não elegeria um Presidente e nem muitos governadores. |
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