Repensando a Igreja - O Fenômeno dos "Desigrejados".
REPENSANDO A IGREJA.
Alex José de Souza
“E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu
nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não
nos segue.
Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que
faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim.
Porque quem não é contra nós, é por nós.” Marcos 9:38-40
Há algum tempo venho refletindo sobre o fenômeno chamado de "DESIGREJADOS", aliás título que considero ofensivo, preconceituoso e, acima de tudo prepotente por parte daqueles que o definiram desta maneira, por se referir a pessoas que, cansadas de abusos das denominações tradicionais, decidiram desligar-se destas e passaram a continuar sua caminhada de fé em reuniões organizadas em seus lares, ou em outros espaços não convencionais.
O termo "desigrejado" tem sido utilizado para se referir a pessoas que optam por não participar de instituições religiosas organizadas ou denominacionais. No entanto, é importante fazer uma análise crítica sobre o uso pejorativo desse termo, pois ele carrega uma conotação negativa com a intencionalidade de desvalorizar e estigmatizar aqueles que fazem essa escolha.
O uso do termo implica que aqueles que não frequentam, ou estão fora do rol de membros das "igrejas denominacionais" estão em uma condição de falta ou deficiência, sugerindo que sua decisão é um desvio do "caminho correto". Isso pode criar uma dicotomia entre aqueles que estão "dentro" e "fora" da igreja, reforçando uma ideia de superioridade por parte dos que estão dentro da estrutura institucional.
“Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18,20)
Essa abordagem pejorativa ignora as razões legítimas pelas quais algumas pessoas escolhem não participar de igrejas organizadas. Alguns podem ter tido experiências negativas, como abusos, hipocrisia ou falta de autenticidade dentro dessas instituições. Outros podem encontrar formas alternativas de vivenciar sua fé e se conectar com a espiritualidade fora das estruturas tradicionais. Rotulá-los como "desigrejados" pode desconsiderar a complexidade de suas jornadas espirituais e a diversidade de suas experiências.
Além disso, o termo "desigrejado" pode sugerir uma visão estreita de igreja, limitando-a apenas a instituições organizadas. No entanto, a noção bíblica de igreja abrange uma comunidade de crentes que se reúnem em nome de Jesus, independentemente do local ou formato das reuniões. Portanto, é importante reconhecer que existem diferentes formas de vivenciar e expressar a fé cristã fora das estruturas institucionais.
Em vez de utilizar o termo "desigrejado" de maneira pejorativa, é mais produtivo e respeitoso adotar uma abordagem mais inclusiva e compreensiva. Em vez de rotular as pessoas com base em sua escolha de não frequentar igrejas organizadas, é importante ouvir suas histórias, entender suas motivações e respeitar sua liberdade de buscar e viver a fé de maneira que lhes pareça mais significativa.
A diversidade de experiências e abordagens é uma característica intrínseca da jornada espiritual humana. Portanto, é crucial evitar estereótipos e julgamentos preconceituosos em relação aos "desigrejados" ou qualquer outra pessoa que se afaste das estruturas religiosas tradicionais. O importante é buscar uma compreensão mais ampla da fé cristã, reconhecendo que a igreja existe em diversos contextos e manifestações, e valorizando a busca sincera pela espiritualidade, independentemente de onde ela aconteça.
Eu poderia utilizar o termo "Cristão Adenominacional", ao se referir a este grupo em particular, ou simplesmente Cristão, pois quem deu a tais líderes autoridade para se sentirem os "Senhores da Verdadeira Igreja"? Esse tipo de comportamento não os aproxima do mesmo comportamento dos fariseus e saduceus da Judeia à época da vinda de JESUS? Aqueles julgavam que Jesus, por não ser um dos deles, não tinha autoridade para reunir ou pregar às multidões.
Desta maneira é bastante coerente respeitar essas pessoas, que continuam sendo um de nós, mesmo que não queiram sentar-se em um templo de uma igreja institucional, talvez seja isso a primeira coisa que estas pessoas precisem, respeito.
Deixo abaixo duas sugestões de leitura para os líderes institucionais e demais religiosos que referem-se a estes irmãos usando o termo pejorativo e fazem juízo de seus motivos.
Alex José de Souza - 26/06/2023


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